A Finasterida é um dos medicamentos mais prescritos no mundo para o tratamento da alopecia androgenética (queda de cabelo de origem hormonal). Reconhecida por sua eficácia em retardar a progressão da calvície e promover o crescimento capilar em homens predispostos geneticamente, ela é amplamente utilizada há décadas.

No entanto, sociedades científicas internacionais vêm alertando para efeitos colaterais graves, especialmente relacionados à saúde mental. Um estudo recente publicado no Journal of Clinical Psychiatry (Brezis M., 2025) revisou evidências sobre depressão e ideação suicida associadas ao uso da Finasterida, chamando atenção para falhas graves na farmacovigilância internacional.


O que é Finasterida e como ela atua

A Finasterida atua inibindo a enzima 5-alfa-redutase, responsável por converter a testosterona em dihidrotestosterona (DHT) — o principal hormônio envolvido na miniaturização dos folículos capilares. Esse bloqueio é o que reduz a queda de cabelo e melhora a densidade capilar em pacientes com alopecia.

Porém, o mesmo mecanismo que traz benefícios estéticos pode afetar o equilíbrio neuroquímico do cérebro. Ao inibir a DHT, a Finasterida interfere também na síntese de neuroesteroides como a alopregnanolona, substância essencial para estabilizar o humor e reduzir a ansiedade. Essa alteração neuroendócrina explica por que alguns pacientes desenvolvem sintomas depressivos, ansiedade e insônia após o início do tratamento.


Evidências científicas e efeitos psiquiátricos

De acordo com revisões analíticas recentes, o uso de Finasterida está fortemente associado a transtornos de humor, incluindo depressão, ataques de pânico, disfunção cognitiva e ideação suicida.

Estudos experimentais também mostraram que o bloqueio prolongado da DHT pode causar neuroinflamação e alterações estruturais em regiões cerebrais como o hipocampo, área crucial para a memória e regulação emocional.

Centenas de milhares de pacientes já relataram sintomas psiquiátricos durante ou após o uso do medicamento, e centenas de casos de suicídio foram vinculados ao chamado “síndrome pós-Finasterida” — um conjunto de sintomas persistentes mesmo após a suspensão do fármaco.


O papel da farmacovigilância e a importância do acompanhamento médico

Segundo Brezis (2025), as agências internacionais de saúde falharam em identificar e prevenir adequadamente esses riscos. O artigo aponta deficiências nos sistemas de farmacovigilância, que deveriam monitorar e reportar eventos adversos em larga escala.

Diante disso, especialistas reforçam: é fundamental evitar a automedicação e realizar acompanhamento médico contínuo durante o uso da Finasterida. Qualquer sinal de alteração de humor, ansiedade, insônia ou pensamentos negativos deve ser comunicado imediatamente ao profissional de saúde.


Conclusão

Embora a Finasterida seja eficaz no tratamento da calvície, seus potenciais efeitos colaterais psiquiátricos não podem ser ignorados. O equilíbrio entre benefícios estéticos e riscos à saúde mental deve ser cuidadosamente avaliado.

O uso responsável, com supervisão médica e monitoramento de sintomas emocionais, é essencial para garantir segurança e bem-estar durante o tratamento.